5. Multimídia

Este capítulo aborda as diretrizes relacionadas ao uso de multimídia em livros digitais, com ênfase na inclusão de alternativas acessíveis para diferentes tipos de mídia, como áudios e vídeos. O objetivo principal é garantir que todas as pessoas, independente de duas habilidades, possam acessar o conteúdo audiovisual, seja através de transcrições, legendas, audiodescrição e tradução para Libras.

Em vídeos, recomenda-se que todo o conteúdo visual relevante seja transmitido pela narração ou através das informações sonoras do vídeo. Por exemplo, se o apresentador exibir uma imagem ou manusear um objeto no vídeo que é importante para a compreensão do conteúdo, essa imagem ou objeto deve ser descrito pelo apresentador. Assim, as pessoas cegas não ficam privadas de informação relevante.

Essas alternativas são fundamentais para tornar os materiais didáticos mais inclusivos, de forma a atender diversas necessidades, como a de pessoas com deficiência auditiva, visual, neurodivergentes ou surdocegas.

5.1 Alternativa textual para áudios

Deve-se apresentar uma alternativa em texto que transcreve todo o conteúdo de áudios, isso inclui falas, identificação dos interlocutores e demais sons presentes (como risadas) permitindo que pessoas com deficiência auditiva não sejam prejudicadas pois poderão ter acesso a toda informação dos áudios através da alternativa em texto.

Exemplo 45: Logo após ao áudio de um podcast existe um link para transcrição do conteúdo do áudio.
Transcrição do podcast sobre livros digitais acessíveis

Exemplo 46: Logo após ao áudio do exercício existe um botão para expandir e recolher a transcrição do áudio em questão.
Transcrição do podcast sobre livros digitais acessíveis

Podcast: A Importância dos Livros Digitais Acessíveis

Carlos:
— Olá, hoje a gente mergulha num assunto que, bom, está cada vez mais na rotina escolar, os livros digitais. E temos um material bem bacana para guiar a gente, é um manual técnico, sabe? Melhores práticas de acessibilidade para o desenvolvimento de livros digitais interativos. Foi feito pelo pessoal do NEES, da UFAL, junto com o FNDE e o MEC.

Ana:
— Exatamente, um guia bem completo.

Carlos:
— E olha que interessante. A escolha para o PNLD, o Programa Nacional do Livro, foi o HTML5. A ideia é ter materiais mais dinâmicos, né? Que se adaptem. E o ponto-chave para nós hoje, acessíveis.

Ana:
— Sim, acessibilidade é a palavra.

Carlos:
— E é aí que a gente foca. Porque essa acessibilidade é tão, tão vital. Principalmente para incluir, de verdade, os estudantes com deficiência. Os dados são fortes, viu?

Ana:
— Quais dados você tem aí?

Carlos:
— Censo escolar de 2023, do INEP. Olha só, 1 milhão e 770 mil matrículas na educação especial. É, é um número enorme, não dá para ignorar.

Ana:
— De jeito nenhum. E é bom lembrar que acessibilidade digital, não é só um detalhe técnico, né? É um compromisso ético. E legal também, a lei brasileira de inclusão, a LBI, está aí para reforçar isso.

Carlos:
— A LBI, certo.

Ana:
— E para organizar as ideias, tem as diretrizes internacionais, a WCAG. Aqueles quatro princípios, perceptível, operável, compreensível e robusto. Eles são tipo o alicerce para que o conteúdo digital funcione para todo mundo. Incluindo quem usa leitor de tela, teclado adaptado, essas coisas.

Carlos:
— Entendi. Funciona como um guia prático, então. Mas me diz uma coisa, além dessa inclusão que é super importante, claro. Por que mais investir tanto nisso?

Ana:
— Bom, primeiro, como você falou, é lei. A LBI incentiva expressamente, lá no artigo 68, o uso de formatos assistentes.

Carlos:
— É verdade.

Ana:
— E tem outro ponto, o desenho universal. Quando você pensa na acessibilidade desde o comecinho, o resultado final fica melhor para todo mundo.

Carlos:
— É como as legendas, né? Muita gente usa em lugar barulhento, mesmo sem ter deficiência auditiva.

Ana:
— Exato. É esse o espírito. E o manual que você citou bate muito nessa tecla. A acessibilidade não é remendo.

Carlos:
— Não pode ser adaptação depois, né?

Ana:
— De jeito nenhum. Tem que nascer junto com o projeto. Desde a concepção, sabe? Passando pelo conteúdo, pelo design e testando, claro, é um processo contínuo.

Carlos:
— E, tecnicamente, o que esse manual destaca como essencial?

Ana:
— Olha, ele detalha bastante coisa. Começa pela estrutura. Usa HTML semântico, sabe? Títulos H1, H2, H3 na ordem certa. Listas bem definidas com o UL, OL.

Carlos:
— Isso ajuda os leitores de tela, né? A entender a organização da página.

Ana:
— Precisamente. A ordem de leitura no código tem que bater com a ordem visual. Se não vira uma confusão para quem depende da tecnologia assistiva. E evitar aqueles arquivos gigantescos, monolíticos, que travam tudo.

Carlos:
— Faz sentido. E sobre o texto mesmo?

Ana:
— Também tem pontos cruciais. A escolha da fonte, por exemplo. O manual até sugere algumas, como o OpenDyslexic, a Atkinson Hyperlegible.

Carlos:
— Interessante.

Ana:
— Marcar o idioma corretamente, lang PT-BR por exemplo. Parece básico mais para o leitor de tela usar a pronúncia certa é fundamental. E o famoso ALT nas imagens.

Carlos:
— A descrição das imagens. Isso ainda falha muito, né?

Ana:
— Demais. Uma imagem sem ALT é invisível para quem não enxerga. Precisa descrever o que é importante ali. E até para fórmulas matemáticas, usar MathML. Mas também ter uma alternativa em texto.

Carlos:
— E a parte de interação, como fica?

Ana:
— Bom, primeiro, design responsivo. Tem que funcionar bem em qualquer tamanho de tela. Contraste a outro ponto-chave. Texto e fundo precisam ter contraste suficiente. Tem até um número mínimo. 4,5 para 1.

Carlos:
— Para grande a leitura?

Ana:
— Exato. E uma coisa que não pode falhar. Navegação por teclado. Tudo que é clicável ou interativo tem que ser acessível só com o teclado. Pensa em quem tem dificuldade motora ou usa leitor de tela. Dependem disso. Ah, e links internos, claros, nada de jogar o aluno para fora do livro sem aviso.

Carlos:
— E quando tem vídeo ou áudio?

Ana:
— Aí as alternativas são obrigatórias. Transcrição textual, para quem não pode ouvir, ou prefere ler. Legendas sincronizadas. Audiodescrição, para descrever o que acontece visualmente para quem não vê.

Carlos:
— Essencial.

Ana:
— E a janela de libras com tamanho mínimo recomendado, que o manual fala, um oitavo da área do vídeo para ser realmente funcional.

Carlos:
— Ual! São muitos detalhes técnicos. E como isso tudo se conecta com a pedagogia, com o jeito de aprender?

Ana:
— Ótima pergunta. Aí entram os princípios do desenho universal para a aprendizagem, o DUA. A ideia é justamente essa, oferecer informação de várias formas, permitir que o aluno interaja esse expresso de jeitos diferentes e buscar maneiras diversas de engajar.

Carlos:
— Então, a acessibilidade técnica e a boa prática pedagógica andam de mãos dadas.

Ana:
— Exatamente. Uma potencializa a outra. O manual, ao juntar essas diretrizes todas, WCAG, EPUB accessibility, DUA, mostra que o livro digital acessível é, humm, a ferramenta para a gente ter uma educação mais justa, mais equitativa e para cumprir a lei, claro. O HTML5 é o meio para isso.

Carlos:
— E entender isso tudo não é só para quem desenvolve o livro, né? É fundamental para professores, para coordenadores pedagógicos, para as editoras, para todo mundo que está envolvido com a educação.

Ana:
— Com certeza, todos na cadeia educacional precisam estar cientes.

Carlos:
— É garantir que o acesso ao conhecimento seja bom, universal de verdade.

Ana:
— Perfeito. E para a gente fechar, queria deixar uma provocação. A gente já entendeu que a acessibilidade não é só cumprir norma, né? É mais que isso.

Carlos:
— Sim.

Ana:
— Mas como a gente pode ir além? Como usar a interatividade que o digital permite, combinada com essa acessibilidade toda, para criar experiências de aprendizado que sejam assim, realmente personalizadas, que se adaptem ao ritmo, ao estilo de cada estudante, de um jeito que o livro de papel nunca conseguiria.

Carlos:
— Nossa, pensar nessa adaptação ativa.

Ana:
— Pois é. Acho que esse é o próximo grande salto. Usar a tecnologia não só para incluir, mas para transformar a aprendizagem de forma individualizada.

5.2 Alternativa textual para vídeos

Deve-se apresentar uma alternativa em texto que transcreve todo o conteúdo contido em vídeos. A alternativa textual consiste em uma transcrição do vídeo que contém todo o conteúdo importante do mesmo, tanto o que é falado quanto o que aparece na imagem, escrito em forma de texto. Isso inclui falas, identificação dos interlocutores, sons (como risadas) e o que está acontecendo na cena (como ações e expressões das pessoas). Tudo é escrito na ordem em que acontece no vídeo.

A alternativa textual para vídeos é muito útil para pessoas neurodivergentes, pessoas com deficiência auditiva ou deficiência visual e principalmente para surdocegos, já que não irão enxergar nem ouvir o vídeo, mas terão acesso a alternativa textual através de linha braille aliada ao leitor de tela.

Exemplo 47: Logo após ao vídeo sobre como produtos de apoio para a visão existe um link para transcrição do conteúdo do vídeo
Transcrição do vídeo sobre recursos de apoio para a visão
Exemplo 48: Logo após ao vídeo sobre a vida selvagem existe um botão para expandir e recolher a transcrição do áudio em questão.
Transcrição do vídeo sobre produtos de apoio para a visão

Produtos de apoio para a visão

Transcrição do vídeo - vídeo com duração de 4 minutos e 35 segundos

0:00 – Música tocando e aparece o logo do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) e, em seguida, o do Centro Tecnológico de Acessibilidade (CTA).

0:09 – Aparece o texto Tecnologia Assistiva: produtos de apoio para a visão.

0:13 – Intérprete de Libras no canto inferior direito da tela e Anderson Dall Agnol falando:
— Oi, pessoal!
— Hoje estou aqui para mostrar para vocês alguns recursos de apoio para a visão. Mais especificamente as lupas.
— Aqui, por exemplo, nós temos uma lupa manual. Essa lupa, ela proporciona um aumento de 3 vezes, como vocês podem ver.
(Anderson manuseia uma lupa de mão comum e a câmera o mostra utilizando a lupa sobre a capa de um livro, na qual as letras do titulo aparecem ampliadas pela lente da lupa).

0:32 – Anderson falando:
— Mas, as lupas estão disponíveis nos mais diferentes formatos. Como, por exemplo, a lupa de mesa, a lupa de apoio, lupas de régua, e elas proporcionam os mais variados níveis de ampliação.
— Outro tipo de lupa disponível, são as lupas eletrônicas. As lupas eletrônicas permitem fazer a leitura do conteúdo, permitindo a ampliação e também a mudança no esquema de cores, mudando a cor da letra e do fundo.
(Anderson manuseia uma lupa eletrônica sobre a capa de um livro, pressionando botões disponíveis no recurso, mostrando como as letras aparecem ampliadas e com esquemas de cores diferentes no visor da lupa).

1:08 – Anderson falando:
— As lupas eletrônicas estão disponíveis no mercado e elas possuem os mais variados recursos e valores.
— No entanto, como as lupas eletrônicas apresentam um valor elevado, às vezes é um pouco difícil para as instituições conseguirem adquirir ou até mesmo para os estudantes fazerem uso.
— Outra alternativa que pode ser bastante útil aos estudantes são os aplicativos de lupa disponíveis nos smartphones. Esses aplicativos permitem, dentre suas várias opções, mudar o esquema do contraste, como, por exemplo, o contraste normal, branco e azul, amarelo e azul, tons de cinza e diversos outros.
— Esses aplicativos, eles já vêm embutidos ou no próprio sistema operacional, ou o estudante pode fazer o download na loja de aplicativos do seu celular.
(Anderson manuseia um celular utilizando um aplicativo de lupa sobre a capa de um livro e vai demonstrando diversas opções de esquemas de cores oferecidas pela ferramenta).

2:00 – Bruna Poletto Salton falando:
— Outros recursos muito importantes de apoio à visão, são aqueles usados para confeccionar o braille, como é o caso da reglete e punção, utilizadas para confeccionar o braille manualmente. No qual os pontos vão sendo marcados na folha, utilizando a punção dentro da cela braile que está na reglete.(Bruna demonstra a marcação de pontos com uma punção em uma cela braile da reglete que está em uma prancha com uma folha).

2:22 – Bruna falando:
— Além disso, existem também as rotuladoras manuais braille. Aqui a gente coloca uma fita auto adesiva, e vai marcando os caracteres na fita.
— Ao finalizar a palavra ou a frase, a gente só corta a fita, e ela pode ser colada numa superfície, numa folha...
(Bruna manuseia uma rotuladora manual braile, abre um compartimento e mostra onde colocar a fita. Em seguida, seleciona caracteres e os marca na fita usando o botão da rolutadora. Ao finalizar, pressiona o botão com força para cortar a fita, que fica em sua mão).

2:56 – Bruna falando:
— Além disso, também existem as máquinas de escrever em braille. Elas têm os seis pontos do braille e o espaço. Então, por exemplo, se eu quiser fazer a letra "D", que são os pontos 1, 4 e 5, eu vou pressionar simultaneamente esses três pontos e vou marcando aqui na folha.
(Bruna mostra as teclas existentes em uma máquina de escrever em braile e demonstra sua utilização, pressionando três teclas simultaneamente para escrever a letra D, que fica marcada na folha).

3:20 – Bruna falando:
— E para além disso, também existem as impressoras braile que podem ser utilizadas quando eu quero imprimir um texto todo que já tenho pronto ou se quero imprimir um livro inteiro, por exemplo, conteúdo muito grande em braille.
— E as impressoras existem de diversos modelos, diversos valores, propósitos diversos.
— Outros recursos de apoio à visão muito importantes são os materiais didáticos acessíveis. Como, por exemplo, os materiais ampliados para estudantes com baixa visão, sempre considerando seu resíduo visual e aplicando um bom contraste.
(Bruna mostra a representação da estrutura do COVID-19, com seus componentes impressos em tamanho ampliado em uma folha).

4:01 – Bruna falando:
— Os materiais táteis para os estudantes cegos, utilizando materiais de diferentes texturas e relevo e utilizando braille.
(Bruna manuseia uma folha com um mapa do Brasil em que cada região está representada com um material diferente, criando diferentes texturas, além das escritas em braile).

4:13 – Bruna falando:
— Esses materiais também podem ser confeccionados utilizando a máquina de corte a laser e também utilizando a impressora 3D.
(Bruna mostra um mapa no qual os continentes foram cortados na máquina de corte a laser em peças separadas e, em seguida, pega e manuseia uma representação tridimensional do vírus do COVID-19 feita na impressora 3D).

4:28 – Encerramento do vídeo, música inicia e aparecem os logos do IFRS e do CTA.

5.3 Legendas

Todos os vídeos devem possuir legenda. Ao fornecer vídeos com legendas será garantida a acessibilidade à pessoas surdas ou com alguma outra deficiência auditiva que podem não ouvir o conteúdo de forma adequada, pessoas que em um determinado momento podem não poder ligar o som do vídeo, ou até mesmo para os leitores em geral se o vídeo em questão for em outro idioma.

5.4 Audiodescrição para vídeos

Todos os vídeos devem ter a audiodescrição das informações exibidas. Entende-se como audiodescrição a narração adicionada à trilha sonora para descrever detalhes visuais importantes que não podem ser compreendidos a partir apenas da trilha sonora principal, como por exemplo: informações sobre ações, personagens, mudanças de cenário, textos na tela e outros conteúdos visuais.

5.5 Libras

Todos os conteúdos presentes em vídeos devem possuir tradução para Libras (Língua Brasileira de Sinais), exceto conteúdos em outro idioma que ao serem traduzidos interfiram na proposta pedagógica. A tradução deve estar disponível na mesma mídia e a janela de Libras deve ter no mínimo, a metade da altura e um quarto da largura do tamanho do vídeo, ou seja, ⅛ do tamanho do vídeo original. Dessa forma o intérprete de Libras terá um tamanho aceitável para que o usuário consiga vê-lo ao mesmo tempo que assiste o vídeo. Geralmente a janela de Libras fica no canto inferior direito do vídeo.